
Estou iniciando uma série de posts que abordam a existência do sobrenatural. Vou introduzir o assunto com uma abordagem de um acontecimento bem famoso e tido como verdadeiro : o caso de Amityville, que inclusive sofreu uma refilmagem nas telas do cinema, rendendo por sinal um péssimo filme de horror.
O brutal assassinato de fato aconteceu: em 13 de novembro de 1974 seis moradores da casa foram mortos a tiros enquanto dormiam. O único sobrevievente, Ronald Jr. foi condenado pelos crimes e a casa colocada a venda. No ano seguinte o casal George e Kathy Lutz e seus três filhos se mudaram para lá. Logo os acontecimentos estranhos começaram: portas e gavetas se fechavam sozinhas com grande estrondo e algumas vezes eram arremessadas longe; um enxame de insetos vindo não se sabe de onde assolou a casa; uma entidade demoníaca de olhos avermelhados era vista constantemente à noite e certa vez deixou pegadas bifurcadas na neve; um padre chamado para benzer a casa foi posto para correr por uma voz que disse em tom gutural “Vá embora!”, e muitas outras coisas sinistras.
Depois de algum tempo os Lutz abandonaram a casa - que logo foi invadida por centenas de turistas e caçadores de fantasmas, único inconveniente, diga-se de passagem, que os moradores seguintes tiveram - e decidiu escrever um livro sobre a história toda. O resultado foi “The Amityville Horror: A True History”, publicado em 1977 pelo ghost writer (sem jogo de palavras) Jay Anson, que mais tarde deu origem ao filme.
Investigações posteriores mostraram muitos furos nos fatos narrados pelos Lutz no livro de Anson. Só para começar o padre despejado pelo demônio nunca sequer esteve na casa. A tal tribo indígena, cujas ruínas teriam sido profanadas pela construção da casa, nunca habitou a região de Amityville. As portas das quartos e suas dobradiças que, segundo os Lutz, tinham sido violentamente arrancadas pelas assombrações estavam intactas e a criatura de olhos vermelhos jamais poderia ter deixado pegadas na neve já que não havia neve na época em que elas foram encontradas.Mas o rótulo de "história verdadeira" de Amityville deveria ter sido definitivamente esquecido quando Willian Webber, advogado do homem condenado por matar as seis pessoas na casa, admitiu que toda a história fora inventada por ele e por George Lutz. Para Lutz a história era simplesmente uma maneira de ganhar algum dinheiro, mas para Webber era uma forma de conseguir um novo julgamento para seu cliente, colocando a culpa dos assassinatos nos demônios.
Ironicamente George Lutz, que nunca admitiu a farsa, está sentindo na pele que a lenda é muito mais interessante e muito mais pegajosa que a verdade. Lutz está processando os produtores da nova versão de Amityville, dizendo que sua imagem está sendo denegrida pelo filme. Na atual versão, seu personagem mata o cachorro com um machado, constrói caixões para seus filhos, tenta afogar sua esposa e distribui tiros em todos com uma espingarda. George nega ter feito qualquer destas coisas mas quem quer saber, não é? :-))

























